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INFORMATIVO AVAL

 

Ovo: Vilão ou Herói

 

A produção de ovos comerciais cresceu 54% em nível mundial, mas no Brasil apenas 8,8% entre 1990 e 2001. Isto é reflexo do baixo consumo per capita (123 ovos/ano) brasileiro, há países que consomem mais de 300 ovos/ano. É estranho pensar que o consumo de carnes teve um aumento considerável nos últimos anos, mas que o ovo não tem acompanhado esse ritmo. E mais estranho ainda, é pensar que o ovo tem maior consumo pelas classes de renda média e alta da população, em detrimento das classes baixas. O motivo de se estranhar tais fatos se deve ao fato das elevadas taxas de desnutrição do país nas camadas sociais mais pobres, então como entender o baixo consumo de ovo nesta faixa da população?

            Sabendo-se que os ovos possuem proteínas ricas em aminoácidos essenciais, gorduras ricas em fosfolipídes importantes, ácidos graxos essenciais e vitaminas, componentes esses de grande relevância para a nutrição humana, torna-se evidente a necessidade de maior inclusão de ovos na dieta da população das camadas sociais mais carentes.

A clara (ou albúmen) é constituída de 13 proteínas de alto valor biológico, sendo que as principais são a ovoalbumina e a ovotransferrina. A gema contém a maior fração de nutrientes essenciais como vitaminas, proteínas de alto valor biológico (possui 97,3%, só perdendo para os aminoácidos essenciais do leite materno), fosfolipídeos, ácidos graxos essenciais e minerais. Ainda, o ovo possui altos teores de luteína e zeaxantina, dois antioxidantes carotenóides, que podem colaborar na redução dos riscos de doenças degenerativas dos olhos, ligadas ao envelhecimento, por exemplo. Portanto, ao pensar apenas no fator colesterol, o consumidor despreza todas as substâncias citadas anteriormente e que são essenciais à vida e a saúde. O ovo apresenta a maior quantidade de nutrientes essenciais totais à nutrição humana em relação ao seu conteúdo calórico quando comparado com qualquer outro alimento.

            Durantes as últimas décadas, cientistas tem recomendado a limitação do consumo de ovos devido ao colesterol encontrado na gema. Tal nutriente estava originalmente relacionado com o aumento da colesterolemia e associado a doenças cardiovasculares. Porém, recentes pesquisas têm reavaliado este conceito e encontrado que a ingestão de gorduras saturadas e não o colesterol é maior responsável pelas doenças cardiovasculares. Gorduras saturadas são aquelas sólidas a temperatura ambiente.

            Os ovos, como poderá ser visto na tabela abaixo, são considerados alimentos de baixo teor de gordura, tendo na sua fração lipídica maiores concentrações de ácidos graxos insaturados. Assim, um ovo de 60 g, por exemplo, possui somente 1,5 g de gordura saturada, quantidade relativamente pequena se comparada a outros alimentos normalmente consumidos.

                             Conteúdo de nutrientes em um ovo de 59g                                                       

Nutrientes (unidades)

Ovo inteiro

Clara

Gema

Calorias (Kcal)

75

17

59

Proteínas (g)

6,25

3,25

2,78

Lipídeos totais (g)

5,01

0

5,01

Carboidratos totais (g)

0,6

0,3

0,3

Ácidos graxos (g)

4,33

0

4,33

Lipídeo saturado (g)

1,55

0

1,55

Lipídeo monoins. (g)

1,91

0

1,91

Lipídeo polinsat. (g)

0,68

0

0,68

Colesterol (mg)

213

0

213

Tiamina (mg)

0,031

0,002

0,028

Riboflavina (mg)

0,254

0,151

0,103

Niacina (mg)

0,036

0,031

0,005

Piridoxina (mg)

0,070

0,001

0.0069

Folacina (g)

23,50

1,00

22,50

Vitamina B12 (g)

0,50

0,07

0,43

Vitamina A (UI)

317,50

0

317,50

Vitamina E (mg)

0,70

0

0,70

Vitamina D (UI)

24,50

0

24,50

Colina (mg)

215,10

0,42

214,6

Biotina (mg)

9,98

2,34

7,58

Cálcio (mg)

25

2

23

Ferro (mg)

0,72

0,01

0,59

Magnésio (mg)

5

4

1

Cobre (mg)

0,007

0,002

0,005

Iodo (mg)

0,024

0,001

0,022

Zinco (mg)

0,55

0

0,55

Sódio (mg)

63

55

8

Manganês (mg)

0,012

0,001

0,011

ENC: Nutrient value of eggs – American Egg Board’s (2001)

 

Em artigo publicado pela revista Veja de 04/10/2006 ressalta-se que a colina é essencial para bom funcionamento do cérebro e que as gorduras monoinsaturadas - a maior quantidade de gordura do ovo encontra-se nessa forma, como exposto na tabela – é tida como a gordura do bem por ser protetora do coração. No mesmo artigo, destaca o ovo como excelente fonte de triptofano, aminoácido precursor da serotonina, substância associada a sensação de bem-estar.

Pesquisas realizadas na Harvard School of Public Health (1999) encontraram que a saúde de adultos estava relacionada com grupos que possuíam o hábito de comer um ovo por dia sem aumento da incidência de doenças cardiovasculares. Vários outros estudos também chegaram a esta conclusão, verificando variações muito pequenas nos níveis sanguíneos de colesterol após ingestão de 1 ou 2 ovos por dia. Outros estudos mostraram também que, os níveis de HDL (colesterol bom) aumentavam quando os indivíduos eram suplementados com ovos em suas dietas. Assim, vários estudos clínicos e epidemiológicos sobre a relação entre colesterol da dieta, ovos e risco de doença coronariana demonstraram relação zero entre doenças cardiovasculares e colesterol da dieta (McNamara, 1999). Portanto, tamanha preocupação com os níveis de colesterol presentes na dieta a base de ovo de fato se justifica após breve apresentação dos trabalhos científicos realizados mundialmente?

O colesterol torna-se ainda de menor importância, diante de outros trabalhos como os que evidenciam o consumo de ovos para o desenvolvimento da inteligência para crianças (FAO/ Índia, 1996) ou no combate a progressão de Alzheimer (Sanada, 2001).

Após tantas evidências aqui expostas sobre a importância do ovo na nutrição humana e os benefícios que podem trazer a saúde, aliado ao baixo custo deste produto, não há justificativa convincente para manter-se baixo o consumo de ovo no Brasil diante dos problemas de subnutrição e pobreza do país.

Divulgar os resultados das pesquisas realizadas junto aos consumidores sobre os benefícios do ovo é tão importante, que tal atividade fez com que o consumo de 139, subisse para 229 ovos/ano dentro de um período de 10 anos nos Estados Unidos Portanto, o fato é deixar de encarar o ovo como um vilão e passar a olha-lo como um possível herói no combate a subnutrição e fonte de proteína animal acessível a todas as camadas sociais da população brasileira.

 

Por: Claudia Cassimira da Silva

Secretária Executiva da AVAL e Graduanda em Zootecnia pela Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos - USP

 

Artigos Utilizados para a elaboração do texto:

Mitos e Verdades sobre o ovo de consumo - Por Antonio Gilberto BertechiniAveWorld (out/nov – 2003)

Ovo: Valioso recurso contra a fome e a desnutrição – Aves & Ovos da Associação Paulista de Avicultura, edição 2002-2003.

A Volta Triunfal do Ovo – Por Anna Paula Buchalla – Revista Veja (04/10/2006), disponível online no site: http://www.apa.com.br/framartigo.htm

 

Histórico  de Notícias

A fim de relembrar e destacar as continuas ações, decidimos fazer uma síntese das principais noticias vinculadas em nossos informativos ao longo destes anos. Os principais assuntos de interesse ao setor foram abordados e discutidos com a finalidade de trazer informação e conhecimento a todos.

Principais assuntos abordados em 2006

Abrimos o ano de 2006 trazendo o tema: O USO DE ADITIVOS NATURAIS NA PRODUÇÃO AVÍCOLA, em resposta a preocupação de que certos aditivos antimicrobianos usados nas rações animais pudessem causar resistência bacteriana em humanos. O artigo publicado trouxe uma revisão bibliográfica profunda sobre o assunto. A finalidade destes aditivos é agir como promotores de crescimento e de eficiência alimentar e o informativo traz como alternativa de se alcançar estas mesmas variáveis por meio de aditivos naturais como extratos vegetais, prebióticos, probióticos, enzimas, etc. que foram melhor detalhados a fim de trazer esclarecimentos sobre o modo de ação de cada um.

Seguindo a busca por alimentos mais saudáveis, nutritivos e de baixo preço trouxemos um artigo em Fevereiro de 2006, que evidenciava a importância dessa visão do produtor quanto ao aspecto produtivo e de comercialização dos produtos de origem animal e assim chegar ao consumidor final com os produtos adequados a nova exigência. As melhorias produtivas vêm sendo alcançadas e aprimoradas constatemente por parte dos produtores, pena que parcela importante da população desconheça como se dá esse desenvolvimento produtivo, que não se relaciona com o uso de hormônios, como muitos veiculam. Falta informação a população sobre as novas técnicas adotadas em produção animal, como seleção genética, nutrição e sanidade.

E em Março mais uma vez tivemos a Influenza Aviária como noticia. Trouxemos a informação de que o Comitê Permanente da Cadeia Alimentar da União Européia tinha autorizado a França e a Holanda a vacinar suas aves contra a gripe aviária em regiões especificas e de baixas condições, sendo os primeiros países a praticar a vacinação preventiva contra o vírus H5N1.

E a fim de tranqüilizar os brasileiros quanto a possibilidade de entrada da influenza aviária no Brasil abordamos o tema quanto as reais chances de isso ocorrer. O fato é que o hemisfério Sul não é rota da maioria das aves migratórias, sendo assim deveria ficar em alerta quando surgissem os primeiros casos nos Estados Unidos e Canadá. Poucas aves migram do Hemisfério Norte para o Sul, diminuindo ainda mais a possibilidade de a doença chegar ao Brasil por intermédio das aves silvestres.

No informativo de abril de 2006 evidenciava-se a preocupação com a entrada da Gripe Aviária no Brasil e o risco que as criações de aves alternativas poderiam trazer com relação a isso. O alerta era dado pela Embrapa Suínos e Aves e era dirigido aos produtores de aves de corte ou postura em sistema de produção colonial ou caipira e demais espécies (marrecos, gansos, patos, entre outros). Recomendava-se que as aves normalmente criadas em piquetes fossem confinadas para evitar o risco de contato com aves migratórias e isentar as chances de entrada da gripe aviária. Ainda em abril, trouxemos uma reportagem na qual declarava que a Austrália estaria proibindo o uso de certos antibióticos de fluorquinolonas, usados na produção de frangos. Tal decisão seria em reflexo a preocupação do país com o desenvolvimento de resistência bacteriana por parte da população, principalmente Campylobacter jejuni que é a principal causa de intoxicação alimentar nos países industrializados.

 E em Junho noticiávamos que durante a XXII Semana do coração, organizada pela Fundação Espanhola do Coração, especialistas recomendavam o consumo de carne de frango dentro de uma dieta equilibrada que incluísse alimento de todos os grupos e em quantidades adequadas para controlar doenças como Colesterol e Hipertensão. E mais, segundo a Organização Profissional de Avicultura da Espanha, o frango é um alimento de fácil digestão e contém proteínas de alto valor, minerais e vitaminas essenciais ao organismo, e ainda, baixas concentrações de gordura saturada e colesterol.

E em Novembro de 2006, trazíamos como título de nosso informativo a Importância da prevenção da Gripe Aviária, descrevendo que é uma doença viral de alto contágio e considerada uma zoonose. Foi melhor descrita a cepa H5N1 devido sua alta patogenicidade, que leva a índices de até 100% de mortalidade em aves e de até 50% em seres humanos infectados. A melhor forma de prevenção não seria o abandono do consumo de frango e seus derivados, mas sim através do controle sanitário dos animais.

E em Dezembro de 2006, encerramos as atividades com um balanço do ano e as perspectivas para o ano de 2007.  Citava-se que sem sombra de dúvidas a Gripe Aviária havia sido a protagonista central no cenário mundial, devido as reduções que gerou no consumo  de carne avícola. A instabilidade do dólar também afetou as atividades comerciais naquele ano, diminuindo a rentabilidade do setor de avicultura no Brasil, enfim o país apresentaria apenas 1% de crescimento na atividade com relação a 2005.

 

Principais assuntos abordados em 2005

Em agosto de 2005 publicamos em nosso informativo uma pesquisa realizada pela Eurobarometer que revelou preocupação por parte dos consumidores europeus quanto a bem estar animal.  Com o estudo obteve-se que 57% dos consumidores estariam dispostos a pagar mais por ovos provenientes de um sistema de criação onde o bem estar do animal é levado em consideração. Porém esta escolha era impedida pela rotulagem, visto que  32% dos consumidores nunca conseguiam identificar o bem estar animal nesses produtos (variando em até 70% em alguns paises, particularmente nos novos Membros do Estado), enquanto 19% conseguiam identificar muito raramente.

Em Setembro de 2005 abordamos mais uma vez a questão da resistência bacteriana, isso devido ao lançamento do projeto para prevenção de resistência a antibióticos, pela Anvisa em parceria com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e com a Coordenação-Geral de Laboratórios em Saúde Pública da Secretaria de Vigilância em Saúde (CGLAB/SVS/MS). Assim foi implantando a Rede de Monitoramento e Controle da Resistência Microbiana em Serviços de Saúde – Rede RM. A última etapa deste projeto visaria a integração à Rede Internacional de Resistência Microbiana da Organização Mundial da Saúde (OMS).

            A Autoridade Européia de Segurança Alimentar em Outubro de 2005, publicou uma lista onde apareciam vários corantes proibidos encontrados em alimentos e outros não autorizados que poderiam resultar como tóxicos.            A lista  revisada de aditivos dividem-se em dois grupos. O primeiro está composto por Sudan I e IV, Parared, Rodamina B e Orange II, substâncias que são ou poderiam ser tóxicas e cancerígenas. O segundo grupo está formado por corantes industriais que têm sido identificados por organismos internacionais como tóxicos e cancerígenos, são eles o Ácido Red, Sudan Red 7B, Metanil amarillo, Auramine, Congo Red, Butter Yellow, Solvent Red I, Naphtol amarillo, Malachite Green, Leucomalachite Green, Ponceau MX e Oil Orange SS.

Trouxemos ainda no mesmo mês que o Japão iria submeter a teste todos os frangos importados de uma fábrica brasileira após ter encontrado carregamentos contaminados com enrofloxacina. O Brasil na época era a maior fonte de importação de frango do Japão depois que o governo japonês proibiu importações da Tailândia, devido registro de surtos de gripe aviária no país em 2004.

            A CONTAMINAÇÃO POR MICOTOXINAS foi tema aborda em Novembro de 2005. As micotoxinas são metabólicos produzidos por fungos presentes em grande parte dos alimentos. A maioria dos fungos reduz consideravelmente o valor nutritivo dos alimentos, a FAO estimava que 25% das colheitas mundiais de grãos encontram-se contaminadas. Os efeitos das micotoxinas são considerados graves nos animais e já era comprovado que podiam ser transmitidas aos humanos, sendo que algumas delas são classificadas como altamente cancerígenas. Além do assunto micotoxinas abordamos as vantagens da adoção de práticas de bem estar animal nas granjas e os ótimos resultados que podem gerar alcançando-se melhor qualidade final da carne.

E em Dezembro de 2005 um estudo conduzido pelo USDA   que deu ênfase ao combate à campylobacter. Esta bactéria está presente no intestino das aves e de outros animais e na água, podendo infectar pessoas quando ingeridas, por exemplo, carne mal cozida.  Estudou-se então proteínas chamadas bacteriocinas, produzidas por bactérias, e que poderiam manter a campylobacter e a salmonella em níveis muitos baixos nos intestinos das aves, ajudando a reduzir a exposição humana a esses patógenos. As bacteriocinas são polipeptídeos de baixo peso molecular que matam organismos competidores. Os cientistas avaliaram 25 mil bactérias isoladas em produções avícolas, que depois foram reduzidas para 365. A equipe encontrou atividade anti-campylobacter em alguns desses microorganismos. Tal estudo vinha interessando a muitas empresas podendo ser utilizadas como fonte alternativa aos antibióticos.

Principais assuntos abordados em 2004

Regionalização da Produção Avícola Brasileira

Em agosto de 2004 a União Brasileira de Avicultura (UBA) e a Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Frango (ABEF) propuseram a regionalização da produção avícola brasileira. A proposta tinha por finalidade reduzir o impacto econômico no setor na eventualidade de ocorrência de um problema sanitário, tendo os seguintes objetivos:

·        Redução da vulnerabilidade da produção avícola regional;

·        Criação de condições para que em eventual caso de problema sanitário em uma dada região, as demais sejam preservadas;

·        Garantia aos países importadores, assegurando que o risco é insignificante para as importações de produtos avícolas brasileiros de regiões não afetadas, permitindo importações com origem de regiões livres;

 

Garantia de qualidade

Com a proibição do uso de produtos de origem animal na nutrição animal, era necessário dar provas ao bloco de que nossos animais obedeciam tal norma. Assim, através da utilização de um método desenvolvido pelo Prof. Alfredo Sampaio Carrijo, médico veterinário e professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, em sua tese (doutorado em Zootecnia na FMVZ da Unesp, Campus de Botucatu), juntamente com o Prof. Carlos Ducatti, o Brasil poderia garantir que seus produtos atendiam às exigências da UE.

O método para identificar a presença de componentes de origem animal na ração de frangos de corte permitia que se afirmasse com 99% de certeza que a ave tinha sido alimentada com ração de origem vegetal. Os exames seriam fornecidos pelo Centro de Isótopos Estáveis (CIE), do Instituto de Biociências (IB) da Unesp, campus de Botucatu, com custo na época de cerca de US$ 20 por análise. Este método poderia então, ser utilizado por exportadores e importadores de carne de frango, por órgãos de fiscalização sanitária e de pesquisa.

Produtos Alternativos na Nutrição Animal

Diante da continua pressão a abolição de antibióticos na produção animal, formas alternativas como os insumos e/ou alimentos probióticos, prebióticos, simbióticos e enzimas, que podiam trazer importantes benefícios à saúde dos animais domésticos, tornaram – se alvos de vários estudos. Diante desta importância em 2004, essas fontes alternativas foram detalhadas com a finalidade de esclarecer dúvidas a cerca dos mesmos:

Probióticos:

São suplementos alimentares vivos, capazes de afetar beneficamente o hospedeiro, melhorando o equilíbrio de sua microflora intestinal. Os possíveis mecanismos de ação dos probióticos são:

- Competição pelos sítios de adesão na mucosa intestinal: algumas espécies de bactérias produtoras de ácido láctico que competem com coliformes e E.coli enteropatogênicas por sítios de aderência intestinais específicos;

 - Atividade antimicrobiana: a produção de ácidos láctico e acéticos pelas bactérias usadas como probióticos, reduz o pH do ambiente gastrointestinal, prevenindo o crescimento de vários patógenos e permitindo o desenvolvimento de certas espécies de Lactobacillus;

- Neutralização de enterotoxinas:

- Alteração no metabolismo: alguns probióticos podem aumentar a produção de enzimas deficientes ou reduzir a atividade de enzimas responsáveis pela produção de substâncias pré-cancerígenas;

- Melhoria do estado imunitário.

 

Prebióticos

São ingredientes não digeríveis da dieta que afetam beneficamente o organismo animal, pelo estímulo seletivo ao crescimento e/ou atividade de um grupo limitado de microorganismos no cólon, podendo melhorar a saúde do hospedeiro.

As substâncias prebióticas mais conhecidas são: mananoligossacarídeos (MOS), frutoligossacarídeos (FOS), neosugars, inulinas, lactulose, lactilol e transgalactosídeos. Os prebióticos de maior interesse são aqueles que objetivam estimular bifidobactérias resistentes no colón. O cólon apresenta uma microbiota mais estável, porém extremamente sensível aos antibióticos e de difícil reposição por via exógena, desbalanceando-se facilmente.

 

Simbióticos

São aqueles que, além de carrearem um microorganismo probiótico, carreiam também uma substância prebiótica. Geralmente os suplementos simbióticos comercializados contêm espécies probióticas, atuantes no intestino delgado, além dos prebióticos, que estimulam as bactérias já existentes no cólon.

E em Novembro do mesmo ano trouxemos um breve artigo sobre o uso de produtos homeopáticos na produção animal e os aumentos produtivos que poderiam trazer a criação. Segundo a reportagem o custo poderia ser até 30 vezes mais barato e que várias empresas pretendiam entrar no mercado homeopata fazendo os preços tornarem-se ainda mais acessíveis.

 Galinha Caipira

A galinha caipira vinha como ótima sugestão de lucro para as pequenas propriedades, visto que os custos com alimentação (que correspondem aproximadamente 75% dos gastos totais) poderiam ser menores, uma vez que se utilizam leguminosas, capins, frutas e hortaliças. Acrescido a isso havia a diferenciação do produto final, com carnes de textura apreciável e ovos com maior pigmentação, conferindo melhor aspecto e sabor. Porém, a escolha da linhagem é fundamental, como a Label Rouge, Paraíso Pedrez e a Colonial Embrapa com dupla aptidão.

Contudo, como qualquer negócio uma análise de mercado prévia é necessária a fim de saber quais devem ser as características do produto (atender as exigências do mercado quanto a peso e quantidade) e assim adequar a propriedade (tamanho dos galpões e piquetes, número de equipamentos).

A criação de galinhas caipiras pode ser tão interessante que o Projeto Caipira, desenvolvido por André Siqueira e Éden Dantas beneficiaria, até o final de 2004, cerca de 30 famílias do Assentamento Angicos, em Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza.

E como não poderíamos deixar de abordar os transgênicos também foram pauta de nossas discussões. Assim, divulgamos que a Embrapa vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, faria uma avaliação dos resultados dos impactos ambientais da transgenia sobre microorganismos e fauna do solo. A importância do trabalho era possibilitar, pela primeira vez, todos os aspectos possíveis em termos de biossegurança, para ver se estas plantas produziriam impactos sobre os organismos do solo.

Segundo os pesquisadores da Embrapa, as alterações na composição das substâncias radiculares  provenientes da  transformação de plantas por meio de engenharia genética  poderiam (ou não) influenciar a composição das populações da biota do solo, alterando os processos de decomposição da matéria orgânica e a ciclagem de nutrientes.

A questão dos transgênicos foi ainda mais discutida quando a União Européia anunciou a necessidade de rotulagem e rastreabilidade para organismos geneticamente modificados (OGMs) que impactaria todo o mercado mundial de commodities. Tal rotulagem não daria - se apenas para produtos destinados ao consumo humano, mas também animal. Isso tudo era reflexo da visão contrária que consumidores e varejistas possuíam com relação aos produtos geneticamente modificados.

Acompanhando a polêmica do mercado o governo brasileiro por meio do decreto nº 4680, de 24 de abril de 2003 do Ministério da Saúde, regulamentou o direito à informação do consumidor quanto aos alimentos obtidos a partir de organismos geneticamente modificados destinados ao consumo humano ou animal.

 

Principais assuntos abordados em 2003

No ano de 2003 a grande preocupação estava fortemente vinculada aos impactos que a proibição dos antibióticos causava a nossa avicultura, além é claro da publicação de vários trabalhos que comprovavam a resistência bacteriana em humanos causada por meios destes recursos químicos utilizados.

Proibição do uso de Antibióticos

Como primeira noticia do ano tivemos a divulgação pela União Européia da proibição da Avilamicina e Flavomicina a partir de 1º de janeiro de 2005 e de Monensina Sódica e Salinomicina em 2008.  E se essa noticia trazia algum impacto em Janeiro, o informativo de Junho consolidava a tendência da crescente abolição de medicamentos veterinários nas granjas, uma vez que a Dinamarca anunciava ter tomado esta medida desde 1998.  A medida dinamarquesa foi elogiada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) visto os resultados alcançados naquele país com a diminuição de resistência bacteriana comprovada.

Resíduos de Nitrofurano

Em Janeiro a fim de retomar a confiança da União Européia, o governo brasileiro anunciou a possibilidade do frango brasileiro sair do país já certificado quanto a ausência da presença de nitrofurano na carcaça, evitando a necessidade do bloco em realizar analises em 100% da carga de nossos produtos. Como a substância pode ser cancerígena, uma entidade ambientalista na Itália realizou trabalhos de divulgação alertando os consumidores a não comprarem frangos importados do Brasil por conterem tal produto. Daí a necessidade e resposta imediata do governo em comprovar que as aves brasileiras estavam isentas de resíduos de nitrofurano.

E como reflexo dos escândalos causados pela presença da substância em nossos lotes, a necessidade de um programa de rastreabilidade se que extendesse para aves e suínos no país tornava-se evidentemente urgente. E foi a cerca deste assunto que o artigo de setembro de 2003 abordou. Na época o processo era inovador, estando em fase de implementação na Europa, o mercado mais exigente para nossas exportações, evidenciando claramente que deveríamos adotar futuramente as mesmas medidas. O que segundo o artigo não seria tão difícil quanto a adoção na bovinocultura, porque muitas das informações necessárias já eram conhecidas, não por motivos de sanidade e sim de gestão de produtividade.

O nitrofurano não era apenas uma preocupação brasileira, mas também  de Portugal que detectou por meio de análises, a presença de nitrofuranos em frangos antes de permitir sua venda no país. Porém, não apenas nestas aves foram encontrados resíduos de produtos não autorizados, mas também em perus, mostrando que o problema acometia o setor de uma forma geral. Este mesmo artigo trazia, ainda, a denúncia da existência de um mercado negro para venda de medicamentos veterinários naquele país, o que poderia possibilitar a utilização sem o conhecimento do governo português dos produtos proibidos na produção animal.

Resistência Bacteriana

Em Novembro nosso informativo mostrava que o Brasil preocupado com a questão da resistência bacteriana causada pela utilização de certos antibóticos empregados na produção animal, por meio do Programa Nacional de Monitoramento da Prevalência e da Resistência Bacteriana em Frango, sob coordenação geral da Anvisa e coordenação técnica do INCQS iria realizar uma pesquisa, contagem e identificação do perfil de resistência antimicrobiana de Salmonella sp e Enterococcus sp em carcaças congeladas de frangos.

Se por um lado o Brasil demonstrava sinais de querer se conscientizar melhor dos riscos que o uso de certos medicamentos veterinários poderia trazer a saúde humana, por outro lado demonstrava ainda haver muita falta de informação básica com relação aos aspectos produtivos. Naquele mês o informativo trazia a notícia de que um projeto que visava a proibição de hormônios na avicultura estava em tramitação em Brasília.  Desta forma evidenciou-se a falta de conhecimento na área, visto que tais produtos não eram e nem são utilizados para produção de frangos e ovos.

Influenza Aviária

E em maio a Alemanha anunciava que o surto de Influenza aviária ocorrida no país estava sobre controle. E em Abril a Holanda divulgou a existência de um caso também  no país, no ano mais de nove milhões das cerca de 100 milhões de aves produzidas foram sacrificadas desde que a doença foi detectada, gerando na época, um prejuízo próximo de 2 milhões de euros por dia ao setor de aves daquele país.

Segurança Alimentar

Quanto a segurança alimentar em abril anunciávamos as restrições da União Européia quanto ao uso de subprodutos animais na nutrição. As novas normas seriam postas em prática a partir de 1 de maio de 2003 a fim de garantir a saúde pública. As regras permitiam o uso dos subprodutos para transformação em biogás e seu uso em nutrição animal apenas quando não representassem canibalismo dentro da mesma espécie (exemplo: uso de farinha de penas em rações avícolas). Também ficou proibido o uso de restos de comidas para a alimentação dos animais.  A União Européia classificou os subprodutos em 3 categorias:

1. de alto risco: devendo ser incinerados ou colocados em aterros sanitários;

2. baixo risco: mesmo assim o sendo, são proibidos em rações, devendo ser reciclados e podendo ser utilizados para transformação em biogás;

3. possíveis de serem utilizados em rações: devem ser provenientes de animais saudáveis abatidos para o consumo humano.

Ainda, quanto a segurança alimentar, em Junho foi publicado no The Washington Post, um anuncio do McDonald’s quanto a sua posição com relação ao uso de antibióticos na produção dos animais que se destinam ao seu fornecimento.  O posicionamento da rede era de que os produtores reduzissem gradativamente o uso de tais produtos. Tal noticia só poderia ter impactos fortíssimos no mercado uma vez que no ano de 2003 a rede foi responsável pela compra de 1,13 bilhões de quilogramas de carne bovina, suína e de frango. O McDonald’s anunciou que a medida não teve bases científicas mas baseou-se nas pesquisas de mercado, sendo um reflexo da opinião dos consumidores e que prontamente foi acatada. A opinião publica estava tão forte e tão valorizada que outras redes importantes de fast food americanas como o Burguer King e o Kentucky Fried Chicken contrataram especialistas na área de produção animal a fim de garantir à seus clientes que os animais que consumiam seguiam os princípios de bem estar animal.

 

Principais assuntos abordados em 2002

Antibióticos na nutrição animal

O informativo de Março de 2002, o atual secretário executivo daquela época, Alexandre de Lima, baseou-se no artigo Indústria Avícola silenciosamente reduz o uso de antibióticos publicado em 10 de fevereiro de 2002 por MARIAN BURROS do The New York Times para evidenciar a grande preocupação que o mundo já possuía com relação ao uso de antibióticos na produção animal.

Naquele informativo fica claro as pressões que ambos, grupos de consumidores e saúde publica faziam com relação a falta de informações quanto ao uso de antibióticos e os riscos que poderiam trazer a saúde humana. Tamanha foi a pressão que a Tyson Foods, Perdue Farms e Forster Farms (produtoras na época de um terço do total de frango consumido nos Estados Unidos) se viram obrigadas a dizer que estariam retirando voluntariamente a maior parte dos antibióticos utilizados em suas produções. Tal decisão também foi reflexo de atitudes como de grandes redes de lanchonetes norte americanas, McDonald’s, Wendy’s e Popeye’s que se recusavam a comprar frangos tratados com certas drogas e que poderiam trazer algum tipo de resistência bacteriana em humanos.

Porém, não era possível aos consumidores ter a garantia de que os produtos consumidos estariam livres do uso de antibióticos e que a única maneira possível para tal, seria comprar produtos dotados de selos de garantia atestando que eram livres de antibióticos ou que eram diferenciados, como o caso dos orgânicos.

E essa não era apenas uma preocupação americana, mas também da União Européia que tinha regulado rigidamente antibióticos semelhantes aos usados na medicina humana e que poderiam ser considerados importantes do ponto de vista médico. O mesmo ocorrendo na Dinamarca, onde as restrições resultaram numa queda de aproximadamente 60% em média no uso de antibióticos entre 1994 e 2000.

            O informativo trouxe o nome de varias entidades de estudos de peso nos Estados Unidos correlacionando o uso de antibióticos na produção animal e a geração de resistência bacteriana em humanos devido a esta prática.

Continuando a abordar o tema “uso de antibióticos na produção animal” o informativo de maio de 2002 foi centrado na proibição brasileira do uso do nitrofurano no combate a coccidiose em frangos.

Após a detecção pela Irlanda do Norte e Holanda de resíduos de nitrofurano em lotes de frango brasileiro exportado para os dois países, o governo decidiu proibir o uso de todos os medicamentos para aves e suínos que continham a substância em sua composição, evidenciando a grande importância do mercado europeu em nossas tomadas de decisão.

Expansão dos produtos alternativos

E em Julho de 2002, como medida a proibições ao uso de antibióticos, foi abordada a preocupação sobre medidas substitutivas eficientes que não acarretassem em maiores preços e prejuízos de desempenho dos animais, visto que os alternativos recém utilizados na época enfrentavam estes problemas para que pudessem ser amplamente difundidos, questão esta ainda atual.

Uma previsão feita na época e que se concretizou foi sobre a previsão de crescimento na comercialização de frangos alternativos e na dificuldade do mercado convencional em banir inteiramente o uso de químicos na nutrição.

            Consultado na época para este informativo, nosso atual presidente da Aval, Luiz Carlos Demattê Filho, afirmou que a indústria da carne vinha passando por uma crise de confiança no mundo inteiro. Afirmou ainda, que um frango vivo criado no sistema alternativo custava de 25% a 35% mais que uma ave convencional, no entanto, o mercado para este nicho estava em expansão e bons resultados vinham sendo conseguidos na produção combinando o uso de probióticos, vacina de coccidiose, ácidos orgânicos e enzima na nutrição das aves. Disse também que a Aval pretendia criar um selo de certificação para os produtos alternativos, fato hoje consolidado.

Ainda, temos com destaque em 2002 o informativo intitulado o sabor do século XXI baseado na repostagem da Revista Globo Rural, edição 188 de junho de 2001. O artigo falava da crescente visão na disseminação na adoção da agricultura orgânica no Mundo como reflexo das ocorrências dos casos de vaca louca , febre aftosa e contaminação por dioxina.

O artigo dava número da expansão do número de propriedades européias que passaram a praticar a agricultura orgânica. Os números eram tão expressivos que, por exemplo, para o Brasil afirmava-se um crescimento neste nicho de mercado de aproximadamente 50%. Segundo Roberto Hiroshi, diretor de perecíveis do grupo Pão de Açúcar na época a defasagem por produtos orgânicos era de pelo menos 30 a 40% entre a oferta e a demanda.

Um item apontado como diferencial no mercado externo era a credibilidade e de como o selo verde poderia estar atuando junto neste sentido, evidenciando a necessidade do Brasil em seguir estas tendências e gerar selos para os produtos exportados que tivessem esse apelo e confiabilidade.

 

            Ações do setor que fizeram a diferença

E por fim em Setembro o informativo trouxe o depoimento dos representantes das principais entidades avícolas brasileiras
Zoé Silveira d'Ávila, presidente da UBA, Ariel Mendes, presidente da Facta e Célio Terra presidente da APA. O artigo trazia os esforços realizados junto ao governo para consolidar a avicultura e que atualmente, podemos ver tão claramente os resultados positivos alcançados com a consolidação e posição de destaque de nossa atividade avícola no mundo. Eram esforços realizados na área tributária, produção de insumo, na necessidade de adoção de um programa eficaz de logística e ainda enfatizava que o Programa de Sanidade Avícola fosse de fato posto em prática.

Ou seja, se muitos destes esforços proporcionaram a avicultura nacional uma posição de grande destaque, imagine se todos os esforços apresentados tivessem se concretizado?

O informativo trazia claramente críticas a lentidão na adoção a pratica que também prejudicava a instalação do HACCP junto com o BPF. ( Análise de Perigos e Controle de Pontos Críticos ) visto a sua importância para os mercados da Europa e dos EUA, cujo os quais o Brasil tinha e tem interesse em aumentar a participação comercial. Ficou a crítica da necessidade da criação de um padrão Nacional que transmitisse confiabilidade e um sistema de certificação e inspeção sólidos. Mostramos os esforços que o Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal - Sindirações juntamente com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, faziam com relação a criação de um manual de boas práticas de fabricação para o setor.  Esse trabalho tinha o intuito de ser um referencial mundial visto a importância brasileira nas transações agrárias.