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INFORMATIVO
AVAL Ovo: Vilão ou Herói A produção de ovos comerciais cresceu 54% em
nível mundial, mas no Brasil apenas 8,8% entre 1990 e 2001. Isto
é reflexo do baixo consumo per capita (123 ovos/ano) brasileiro,
há países que consomem mais de 300 ovos/ano. É estranho
pensar que o consumo de carnes teve um aumento considerável nos
últimos anos, mas que o ovo não tem acompanhado esse ritmo. E
mais estranho ainda, é pensar que o ovo tem maior consumo pelas classes
de renda média e alta da população, em detrimento das
classes baixas. O motivo de se estranhar tais fatos se deve ao fato das
elevadas taxas de desnutrição do país nas camadas sociais
mais pobres, então como entender o baixo consumo de ovo nesta faixa da
população? Sabendo-se
que os ovos possuem proteínas ricas em aminoácidos essenciais,
gorduras ricas em fosfolipídes importantes,
ácidos graxos essenciais e vitaminas, componentes esses de grande
relevância para a nutrição humana, torna-se evidente a
necessidade de maior inclusão de ovos na dieta da
população das camadas sociais mais carentes. A clara (ou albúmen) é constituída de 13
proteínas de alto valor biológico, sendo que as principais
são a ovoalbumina e a ovotransferrina.
A gema contém a maior fração de nutrientes essenciais como
vitaminas, proteínas de alto valor biológico (possui 97,3%,
só perdendo para os aminoácidos essenciais do leite materno), fosfolipídeos, ácidos graxos essenciais e
minerais. Ainda, o ovo possui altos teores de luteína
e zeaxantina, dois antioxidantes
carotenóides, que podem colaborar na redução dos riscos de
doenças degenerativas dos olhos, ligadas ao envelhecimento, por exemplo.
Portanto, ao pensar apenas no fator colesterol, o consumidor despreza todas as
substâncias citadas anteriormente e que são essenciais à
vida e a saúde. O ovo apresenta a maior quantidade de nutrientes
essenciais totais à nutrição humana em
relação ao seu conteúdo calórico quando comparado
com qualquer outro alimento. Durantes
as últimas décadas, cientistas tem recomendado a
limitação do consumo de ovos devido ao colesterol encontrado na
gema. Tal nutriente estava originalmente relacionado com o aumento da colesterolemia e associado a doenças
cardiovasculares. Porém, recentes pesquisas têm reavaliado este
conceito e encontrado que a ingestão de gorduras saturadas e não
o colesterol é maior responsável pelas doenças
cardiovasculares. Gorduras saturadas são aquelas sólidas a
temperatura ambiente. Os ovos, como poderá ser visto na tabela abaixo,
são considerados alimentos de baixo teor de gordura, tendo na sua
fração lipídica maiores
concentrações de ácidos graxos insaturados.
Assim, um ovo de
Conteúdo de nutrientes em um ovo de 59g
ENC: Nutrient value of eggs –
American Egg Board’s (2001) Em artigo publicado pela revista Veja de 04/10/2006 ressalta-se que
a colina é essencial para bom funcionamento do cérebro e que as
gorduras monoinsaturadas - a maior quantidade de
gordura do ovo encontra-se nessa forma, como exposto na tabela – é
tida como a gordura do bem por ser protetora do coração. No mesmo
artigo, destaca o ovo como excelente fonte de triptofano,
aminoácido precursor da serotonina,
substância associada a sensação de
bem-estar. Pesquisas realizadas na Harvard School of Public Health
(1999) encontraram que a saúde de adultos estava relacionada com grupos
que possuíam o hábito de comer um ovo por dia sem aumento da
incidência de doenças cardiovasculares. Vários outros
estudos também chegaram a esta conclusão, verificando
variações muito pequenas nos níveis sanguíneos de
colesterol após ingestão de 1 ou 2 ovos
por dia. Outros estudos mostraram também que, os níveis de HDL (colesterol
bom) aumentavam quando os indivíduos eram suplementados com ovos em suas
dietas. Assim, vários estudos clínicos e epidemiológicos
sobre a relação entre colesterol da dieta, ovos e risco de
doença coronariana demonstraram relação zero entre
doenças cardiovasculares e colesterol da dieta (McNamara,
1999). Portanto, tamanha preocupação com os níveis de
colesterol presentes na dieta a base de ovo de fato se
justifica após breve apresentação dos trabalhos
científicos realizados mundialmente? O colesterol torna-se ainda de menor importância, diante de
outros trabalhos como os que evidenciam o consumo de ovos para o desenvolvimento
da inteligência para crianças (FAO/ Índia, 1996) ou no
combate a progressão de Alzheimer (Sanada, 2001). Após tantas evidências aqui expostas sobre a
importância do ovo na nutrição humana e os
benefícios que podem trazer a saúde, aliado ao baixo custo deste
produto, não há justificativa convincente para manter-se baixo o
consumo de ovo no Brasil diante dos problemas de subnutrição e
pobreza do país. Divulgar os resultados das pesquisas realizadas junto aos
consumidores sobre os benefícios do ovo é tão importante,
que tal atividade fez com que o consumo de 139, subisse para 229 ovos/ano
dentro de um período de 10 anos nos Estados Unidos Portanto, o fato
é deixar de encarar o ovo como um vilão e passar a olha-lo como um possível
herói no combate a subnutrição e fonte de proteína
animal acessível a todas as camadas sociais da população
brasileira. Por:
Claudia Cassimira da Silva Secretária
Executiva da AVAL e Graduanda em Zootecnia pela
Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos - USP Artigos
Utilizados para a elaboração do texto: Mitos e Verdades sobre o ovo de consumo
- Por Antonio Gilberto Bertechini
– AveWorld (out/nov
– 2003) Ovo: Valioso recurso contra a fome e a
desnutrição – Aves & Ovos da
Associação Paulista de Avicultura, edição 2002-2003. A Volta Triunfal do Ovo
– Por Anna Paula Buchalla – Revista Veja
(04/10/2006), disponível online no site: http://www.apa.com.br/framartigo.htm Histórico de Notícias A fim de relembrar e destacar as
continuas ações, decidimos fazer uma síntese das
principais noticias vinculadas em nossos informativos
ao longo destes anos. Os principais assuntos de interesse ao setor foram
abordados e discutidos com a finalidade de trazer informação e
conhecimento a todos. Principais assuntos abordados em 2006 Abrimos o ano
de 2006 trazendo o tema: O USO DE
ADITIVOS NATURAIS NA PRODUÇÃO AVÍCOLA, em resposta a
preocupação de que certos aditivos antimicrobianos usados nas
rações animais pudessem causar resistência bacteriana Seguindo
a busca por alimentos mais saudáveis, nutritivos e de baixo preço
trouxemos um artigo em Fevereiro de 2006, que evidenciava a importância
dessa visão do produtor quanto ao aspecto produtivo e de
comercialização dos produtos de origem animal e assim chegar ao
consumidor final com os produtos adequados a nova exigência. As melhorias
produtivas vêm sendo alcançadas e aprimoradas constatemente
por parte dos produtores, pena que parcela importante da
população desconheça como se dá esse
desenvolvimento produtivo, que não se relaciona com o uso de
hormônios, como muitos veiculam. Falta informação a
população sobre as novas técnicas adotadas em
produção animal, como seleção genética, nutrição
e sanidade. E em Março mais uma vez
tivemos a Influenza Aviária como noticia. Trouxemos a
informação de que o Comitê Permanente da Cadeia Alimentar
da União Européia tinha autorizado a França e a Holanda a
vacinar suas aves contra a gripe aviária em regiões especificas e
de baixas condições, sendo os primeiros países a praticar
a vacinação preventiva contra o vírus H5N1. E a fim de tranqüilizar
os brasileiros quanto a possibilidade de entrada da influenza aviária no
Brasil abordamos o tema quanto as reais chances de isso ocorrer. O fato
é que o hemisfério Sul não é rota da maioria das
aves migratórias, sendo assim deveria ficar em alerta quando surgissem
os primeiros casos nos Estados Unidos e Canadá. Poucas aves migram do
Hemisfério Norte para o Sul, diminuindo ainda mais a possibilidade de a
doença chegar ao Brasil por intermédio das aves silvestres. No
informativo de abril de 2006 evidenciava-se a preocupação com a
entrada da Gripe Aviária no Brasil e o risco que as
criações de aves alternativas poderiam trazer com
relação a isso. O alerta era dado pela Embrapa Suínos e
Aves e era dirigido aos produtores de aves de corte ou postura em sistema de
produção colonial ou caipira e demais espécies (marrecos,
gansos, patos, entre outros). Recomendava-se que as aves normalmente criadas em
piquetes fossem confinadas para evitar o risco de contato com aves
migratórias e isentar as chances de entrada da gripe aviária.
Ainda em abril, trouxemos uma reportagem na qual declarava que a
Austrália estaria proibindo o uso de certos antibióticos de
fluorquinolonas, usados na produção de frangos. Tal
decisão seria em reflexo a preocupação do país com
o desenvolvimento de resistência bacteriana por parte da
população, principalmente Campylobacter
jejuni que é a principal causa de intoxicação
alimentar nos países industrializados. E em Junho noticiávamos que durante a XXII
Semana do coração, organizada pela Fundação
Espanhola do Coração, especialistas recomendavam o consumo de carne de frango
dentro de uma dieta equilibrada que incluísse alimento de todos os
grupos e em quantidades adequadas para controlar doenças como Colesterol
e Hipertensão. E mais, segundo a Organização Profissional
de Avicultura da Espanha, o frango é um alimento de fácil
digestão e contém proteínas de alto valor, minerais e
vitaminas essenciais ao organismo, e ainda, baixas concentrações
de gordura saturada e colesterol. E em Novembro de
2006, trazíamos como título de nosso informativo a Importância da
prevenção da Gripe Aviária, descrevendo que é
uma doença viral de alto contágio e considerada uma zoonose. Foi melhor descrita a cepa H5N1 devido sua alta patogenicidade, que leva a índices de até
100% de mortalidade em aves e de até 50% em seres humanos infectados. A
melhor forma de prevenção não seria o abandono do consumo
de frango e seus derivados, mas sim através do controle sanitário
dos animais. E em Dezembro de 2006, encerramos as
atividades com um balanço do ano e as perspectivas para o ano de
2007. Citava-se que sem sombra de
dúvidas a Gripe Aviária havia sido a protagonista central no
cenário mundial, devido as reduções que gerou no
consumo de carne avícola. A
instabilidade do dólar também afetou as atividades comerciais
naquele ano, diminuindo a rentabilidade do setor de avicultura no Brasil, enfim
o país apresentaria apenas 1% de crescimento na atividade com
relação a 2005. Principais assuntos abordados em 2005 Em agosto de 2005 publicamos
em nosso informativo uma pesquisa realizada pela Eurobarometer que revelou
preocupação por parte dos consumidores europeus quanto a bem
estar animal. Com o estudo obteve-se
que 57% dos consumidores estariam dispostos a pagar mais por ovos provenientes
de um sistema de criação onde o bem estar do animal é
levado Em Setembro de 2005 abordamos
mais uma vez a questão da resistência bacteriana, isso devido ao
lançamento do projeto para prevenção de resistência
a antibióticos, pela Anvisa em parceria com a Organização
Pan-Americana de Saúde (OPAS) e com a Coordenação-Geral de
Laboratórios A Autoridade Européia de
Segurança Alimentar em Outubro de 2005, publicou uma lista onde
apareciam vários corantes proibidos encontrados em alimentos e outros
não autorizados que poderiam resultar como tóxicos. A
lista revisada de aditivos
dividem-se em dois grupos. O primeiro está composto por Sudan I e IV,
Parared, Rodamina B e Orange II, substâncias que são ou poderiam
ser tóxicas e cancerígenas. O segundo grupo está formado
por corantes industriais que têm sido identificados por organismos
internacionais como tóxicos e cancerígenos, são eles o
Ácido Red, Sudan Red 7B, Metanil amarillo, Auramine, Congo Red, Butter
Yellow, Solvent Red I, Naphtol amarillo, Malachite Green, Leucomalachite Green,
Ponceau MX e Oil Orange SS. Trouxemos ainda no mesmo mês que o
Japão iria submeter a teste todos os frangos importados de uma
fábrica brasileira após ter encontrado carregamentos contaminados
com enrofloxacina. O Brasil na época era a maior fonte de importação
de frango do Japão depois que o governo japonês proibiu
importações da Tailândia, devido registro de surtos de
gripe aviária no país em 2004. A
CONTAMINAÇÃO POR MICOTOXINAS foi tema aborda em Novembro de 2005. As micotoxinas
são metabólicos produzidos por fungos presentes em grande parte
dos alimentos. A maioria dos fungos reduz consideravelmente o valor nutritivo
dos alimentos, a FAO estimava que 25% das colheitas mundiais de grãos
encontram-se contaminadas. Os efeitos das micotoxinas são considerados
graves nos animais e já era comprovado que podiam ser transmitidas aos
humanos, sendo que algumas delas são classificadas como altamente
cancerígenas. Além do assunto micotoxinas abordamos as vantagens
da adoção de práticas de bem estar animal nas granjas e os
ótimos resultados que podem gerar alcançando-se melhor qualidade
final da carne. E em Dezembro de
2005 um estudo conduzido pelo USDA que deu ênfase ao combate
à campylobacter. Esta bactéria está presente no intestino
das aves e de outros animais e na água, podendo infectar pessoas quando
ingeridas, por exemplo, carne mal cozida.
Estudou-se então proteínas chamadas bacteriocinas,
produzidas por bactérias, e que poderiam manter a campylobacter e a
salmonella em níveis muitos baixos nos intestinos das aves, ajudando a
reduzir a exposição humana a esses patógenos. As
bacteriocinas são polipeptídeos de baixo peso molecular que matam
organismos competidores. Os cientistas avaliaram 25 mil bactérias
isoladas em produções avícolas, que depois foram reduzidas
para Principais assuntos abordados em 2004 Regionalização
da Produção Avícola Brasileira Em agosto de · Redução
da vulnerabilidade da produção avícola regional; · Criação
de condições para que em eventual caso de problema
sanitário em uma dada região, as demais sejam preservadas; · Garantia
aos países importadores, assegurando que o risco é insignificante
para as importações de produtos avícolas brasileiros de
regiões não afetadas, permitindo importações com
origem de regiões livres; Garantia de qualidade Com a proibição do
uso de produtos de origem animal na nutrição animal, era
necessário dar provas ao bloco de que nossos animais obedeciam tal
norma. Assim, através da utilização de um método
desenvolvido pelo Prof. Alfredo Sampaio Carrijo, médico
veterinário e professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul,
em sua tese (doutorado em Zootecnia na FMVZ da Unesp, Campus de Botucatu),
juntamente com o Prof. Carlos Ducatti, o Brasil
poderia garantir que seus produtos atendiam às exigências da UE. O método para identificar a
presença de componentes de origem animal na ração de
frangos de corte permitia que se afirmasse com 99% de certeza que a ave tinha
sido alimentada com ração de origem vegetal. Os exames seriam
fornecidos pelo Centro de Isótopos Estáveis (CIE), do Instituto
de Biociências (IB) da Unesp, campus de Botucatu, com custo na
época de cerca de US$ 20 por análise. Este método poderia
então, ser utilizado por exportadores e importadores de carne de frango,
por órgãos de fiscalização sanitária e de
pesquisa. Produtos Alternativos na Nutrição Animal Diante da continua pressão
a abolição de antibióticos na produção
animal, formas alternativas como os insumos e/ou alimentos probióticos,
prebióticos, simbióticos e enzimas, que podiam trazer importantes
benefícios à saúde dos animais domésticos, tornaram
– se alvos de vários estudos. Diante desta importância em
2004, essas fontes alternativas foram detalhadas com a finalidade de esclarecer
dúvidas a cerca dos mesmos: Probióticos: São suplementos alimentares
vivos, capazes de afetar beneficamente o hospedeiro, melhorando o
equilíbrio de sua microflora intestinal. Os possíveis mecanismos
de ação dos probióticos são: - Competição pelos sítios de
adesão na mucosa intestinal: algumas espécies de bactérias
produtoras de ácido láctico que competem com coliformes e E.coli enteropatogênicas por sítios de
aderência intestinais específicos; -
Atividade antimicrobiana: a produção de ácidos
láctico e acéticos pelas bactérias usadas como probióticos,
reduz o pH do ambiente gastrointestinal, prevenindo o
crescimento de vários patógenos e permitindo o desenvolvimento de
certas espécies de Lactobacillus; - Neutralização de enterotoxinas: - Alteração no metabolismo: alguns
probióticos podem aumentar a produção de enzimas
deficientes ou reduzir a atividade de enzimas responsáveis pela
produção de substâncias pré-cancerígenas; - Melhoria do estado imunitário. Prebióticos São ingredientes não
digeríveis da dieta que afetam beneficamente o organismo animal, pelo
estímulo seletivo ao crescimento e/ou atividade de um grupo limitado de
microorganismos no cólon, podendo melhorar a saúde do hospedeiro.
As substâncias prebióticas mais
conhecidas são: mananoligossacarídeos
(MOS), frutoligossacarídeos (FOS), neosugars, inulinas, lactulose, lactilol e transgalactosídeos. Os prebióticos de maior
interesse são aqueles que objetivam estimular bifidobactérias
resistentes no colón. O cólon apresenta uma microbiota mais
estável, porém extremamente sensível aos antibióticos
e de difícil reposição por via exógena, desbalanceando-se facilmente. Simbióticos São aqueles que,
além de carrearem um microorganismo probiótico,
carreiam também uma substância prebiótica.
Geralmente os suplementos simbióticos comercializados contêm
espécies probióticas, atuantes no
intestino delgado, além dos prebióticos, que estimulam as
bactérias já existentes no cólon. E em Novembro do mesmo ano trouxemos um breve artigo sobre o
uso de produtos homeopáticos na produção animal e os
aumentos produtivos que poderiam trazer a criação. Segundo a
reportagem o custo poderia ser até 30 vezes mais barato e que
várias empresas pretendiam entrar no mercado homeopata fazendo os
preços tornarem-se ainda mais acessíveis. Galinha Caipira A galinha caipira vinha
como ótima sugestão de lucro para as pequenas propriedades, visto
que os custos com alimentação (que correspondem aproximadamente
75% dos gastos totais) poderiam ser menores, uma vez que se utilizam leguminosas,
capins, frutas e hortaliças. Acrescido a isso havia a
diferenciação do produto final, com carnes de textura
apreciável e ovos com maior pigmentação, conferindo melhor
aspecto e sabor. Porém, a escolha da linhagem é fundamental, como
a Label Rouge, Paraíso Pedrez e a Colonial
Embrapa com dupla aptidão. Contudo, como qualquer
negócio uma análise de mercado prévia é
necessária a fim de saber quais devem ser as características do
produto (atender as exigências do mercado quanto a peso e quantidade) e
assim adequar a propriedade (tamanho dos galpões e piquetes,
número de equipamentos). A criação de galinhas caipiras pode ser tão interessante que o Projeto Caipira, desenvolvido por André Siqueira e Éden Dantas beneficiaria, até o final de 2004, cerca de 30 famílias do Assentamento Angicos, em Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza. E como não poderíamos
deixar de abordar os transgênicos também foram pauta de nossas
discussões. Assim, divulgamos que a Embrapa vinculada ao Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento, faria uma avaliação
dos resultados dos impactos ambientais da transgenia
sobre microorganismos e fauna do solo. A importância do trabalho era
possibilitar, pela primeira vez, todos os aspectos possíveis em termos
de biossegurança, para ver se estas plantas produziriam impactos sobre
os organismos do solo. Segundo os
pesquisadores da Embrapa, as alterações na
composição das substâncias radiculares provenientes da transformação de plantas
por meio de engenharia genética
poderiam (ou não) influenciar a composição das
populações da biota do solo, alterando os processos de
decomposição da matéria orgânica e a ciclagem de
nutrientes. A questão dos
transgênicos foi ainda mais discutida quando a União
Européia anunciou a necessidade de rotulagem e rastreabilidade para
organismos geneticamente modificados (OGMs) que
impactaria todo o mercado mundial de commodities.
Tal rotulagem não daria - se apenas para produtos destinados ao consumo
humano, mas também animal. Isso tudo era reflexo da visão
contrária que consumidores e varejistas possuíam com
relação aos produtos geneticamente modificados. Acompanhando a polêmica do
mercado o governo brasileiro por meio do decreto nº 4680, de 24 de abril
de 2003 do Ministério da Saúde, regulamentou o direito à
informação do consumidor quanto aos alimentos obtidos a partir de
organismos geneticamente modificados destinados ao consumo humano ou animal. Principais assuntos abordados em 2003 No ano de Proibição do uso de Antibióticos Como primeira noticia do ano
tivemos a divulgação pela União Européia da
proibição da Avilamicina e Flavomicina a partir de 1º de janeiro de 2005 e de Monensina Sódica e Salinomicina
em 2008. E se essa noticia trazia
algum impacto em Janeiro, o informativo de Junho consolidava a tendência
da crescente abolição de medicamentos veterinários nas
granjas, uma vez que a Dinamarca anunciava ter tomado esta medida desde
1998. A medida dinamarquesa foi
elogiada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) visto os
resultados alcançados naquele país com a diminuição
de resistência bacteriana comprovada. Resíduos de Nitrofurano Em Janeiro a fim de retomar a
confiança da União Européia, o governo brasileiro anunciou
a possibilidade do frango brasileiro sair do país já certificado
quanto a ausência da presença de nitrofurano
na carcaça, evitando a necessidade do bloco em realizar analises em 100%
da carga de nossos produtos. Como a substância pode ser
cancerígena, uma entidade ambientalista na Itália realizou
trabalhos de divulgação alertando os consumidores a não
comprarem frangos importados do Brasil por conterem tal produto. Daí a
necessidade e resposta imediata do governo em comprovar que as aves brasileiras
estavam isentas de resíduos de nitrofurano. E como reflexo dos
escândalos causados pela presença da substância em nossos
lotes, a necessidade de um programa de rastreabilidade se que extendesse para aves e suínos no país
tornava-se evidentemente urgente. E foi a cerca deste assunto que o artigo de
setembro de 2003 abordou. Na época o processo era inovador, estando em
fase de implementação na Europa, o mercado mais exigente para
nossas exportações, evidenciando claramente que deveríamos
adotar futuramente as mesmas medidas. O que segundo o artigo não seria
tão difícil quanto a adoção na bovinocultura,
porque muitas das informações necessárias já eram
conhecidas, não por motivos de sanidade e sim de gestão de
produtividade. O nitrofurano
não era apenas uma preocupação brasileira, mas
também de Portugal que
detectou por meio de análises, a presença de nitrofuranos
em frangos antes de permitir sua venda no país. Porém, não
apenas nestas aves foram encontrados resíduos de produtos não
autorizados, mas também em perus, mostrando que o problema acometia o
setor de uma forma geral. Este mesmo artigo trazia, ainda, a denúncia da
existência de um mercado negro para venda de medicamentos
veterinários naquele país, o que poderia possibilitar a
utilização sem o conhecimento do governo português dos
produtos proibidos na produção animal. Resistência Bacteriana Em Novembro nosso informativo
mostrava que o Brasil preocupado com a questão da resistência
bacteriana causada pela utilização de certos antibóticos
empregados na produção animal, por meio do Programa Nacional de
Monitoramento da Prevalência e da Resistência Bacteriana em Frango,
sob coordenação geral da Anvisa e coordenação
técnica do INCQS iria realizar uma pesquisa, contagem e
identificação do perfil de resistência antimicrobiana de Salmonella
sp e Enterococcus sp
em carcaças congeladas de frangos. Se por um lado o Brasil
demonstrava sinais de querer se conscientizar melhor dos riscos que o uso de
certos medicamentos veterinários poderia trazer a saúde humana,
por outro lado demonstrava ainda haver muita falta de informação
básica com relação aos aspectos produtivos. Naquele
mês o informativo trazia a notícia de que um projeto que visava a
proibição de hormônios na avicultura estava em
tramitação Influenza Aviária E em maio a Alemanha anunciava que
o surto de Influenza aviária ocorrida no país estava sobre
controle. E em Abril a Holanda divulgou a existência de um caso também no país, no ano mais de nove
milhões das cerca de 100 milhões de aves produzidas foram
sacrificadas desde que a doença foi detectada, gerando na época,
um prejuízo próximo de 2 milhões de euros por dia ao setor
de aves daquele país. Segurança Alimentar Quanto a
segurança alimentar em abril anunciávamos as
restrições da União Européia quanto ao uso de
subprodutos animais na nutrição. As novas normas seriam postas em
prática a partir de 1 de maio de 1. de alto risco: devendo ser incinerados ou
colocados em aterros sanitários; 2. baixo risco: mesmo assim o sendo, são
proibidos em rações, devendo ser reciclados e podendo ser
utilizados para transformação em biogás; 3. possíveis de serem utilizados em
rações: devem ser provenientes de animais saudáveis
abatidos para o consumo humano. Ainda, quanto a segurança
alimentar, em Junho foi publicado no The Washington
Post, um anuncio do McDonald’s quanto a sua posição com
relação ao uso de antibióticos na produção
dos animais que se destinam ao seu fornecimento. O posicionamento da rede era de que os
produtores reduzissem gradativamente o uso de tais produtos. Tal noticia
só poderia ter impactos fortíssimos no mercado uma vez que no ano
de Principais assuntos abordados em 2002 Antibióticos na nutrição animal O informativo de Março de 2002,
o atual secretário executivo daquela época, Alexandre de Lima, baseou-se no artigo Indústria Avícola
silenciosamente reduz o uso de antibióticos publicado em 10 de fevereiro de 2002 por MARIAN BURROS do The New York
Times para evidenciar a grande preocupação que o mundo já
possuía com relação ao uso de antibióticos na
produção animal. Naquele informativo fica claro as
pressões que ambos, grupos de consumidores e saúde publica faziam
com relação a falta de informações quanto ao uso de
antibióticos e os riscos que poderiam trazer a saúde humana.
Tamanha foi a pressão que a Tyson Foods, Perdue Farms e Forster Farms (produtoras na
época de um terço do total de frango consumido nos Estados
Unidos) se viram obrigadas a dizer que estariam retirando voluntariamente a
maior parte dos antibióticos utilizados em suas produções.
Tal decisão também foi reflexo de atitudes como de grandes redes
de lanchonetes norte americanas, McDonald’s, Wendy’s
e Popeye’s que se recusavam a comprar frangos
tratados com certas drogas e que poderiam trazer algum tipo de
resistência bacteriana em humanos. Porém, não era
possível aos consumidores ter a garantia de que os produtos consumidos
estariam livres do uso de antibióticos e que a única maneira
possível para tal, seria comprar produtos dotados de selos de garantia
atestando que eram livres de
antibióticos ou que eram diferenciados, como o caso dos
orgânicos. E essa não era apenas uma
preocupação americana, mas também da União
Européia que tinha regulado rigidamente antibióticos semelhantes
aos usados na medicina humana e que poderiam ser considerados importantes do
ponto de vista médico. O mesmo ocorrendo na Dinamarca, onde as
restrições resultaram numa queda de aproximadamente 60% em
média no uso de antibióticos entre 1994 e 2000. O
informativo trouxe o nome de varias entidades de estudos de peso nos Estados
Unidos correlacionando o uso de antibióticos na produção
animal e a geração de resistência bacteriana em humanos
devido a esta prática. Continuando a abordar o tema
“uso de antibióticos na produção animal” o
informativo de maio de 2002 foi centrado na proibição brasileira
do uso do nitrofurano no combate a coccidiose em
frangos. Após a
detecção pela Irlanda do Norte e Holanda de resíduos de nitrofurano em lotes de frango brasileiro exportado para os
dois países, o governo decidiu proibir o uso de todos os medicamentos
para aves e suínos que continham a substância em sua
composição, evidenciando a grande importância do mercado europeu
em nossas tomadas de decisão. Expansão dos produtos alternativos E em Julho de 2002, como medida a
proibições ao uso de antibióticos, foi abordada a
preocupação sobre medidas substitutivas eficientes que não
acarretassem em maiores preços e prejuízos de desempenho dos
animais, visto que os alternativos recém utilizados na época
enfrentavam estes problemas para que pudessem ser amplamente difundidos,
questão esta ainda atual. Uma previsão feita na
época e que se concretizou foi sobre a previsão de crescimento na comercialização de frangos alternativos e na
dificuldade do mercado convencional em banir inteiramente o uso de
químicos na nutrição. Consultado
na época para este informativo, nosso atual presidente da Aval, Luiz
Carlos Demattê Filho, afirmou que a indústria da carne vinha
passando por uma crise de confiança no mundo inteiro. Afirmou ainda, que
um frango vivo criado no sistema alternativo custava de 25% a 35% mais que uma
ave convencional, no entanto, o mercado para este nicho estava em
expansão e bons resultados vinham sendo conseguidos na
produção combinando o uso de probióticos, vacina de
coccidiose, ácidos orgânicos e enzima na nutrição
das aves. Disse também que a Aval pretendia criar um selo de
certificação para os produtos alternativos, fato hoje
consolidado. Ainda, temos com destaque
em 2002 o informativo intitulado o sabor do século XXI baseado na repostagem da Revista Globo Rural, edição 188 de
junho de 2001. O artigo falava da crescente visão na
disseminação na adoção da agricultura
orgânica no Mundo como reflexo das ocorrências dos casos de vaca
louca , febre aftosa e contaminação por dioxina. O artigo dava número da
expansão do número de propriedades européias que passaram
a praticar a agricultura orgânica. Os números eram tão
expressivos que, por exemplo, para o Brasil afirmava-se um crescimento neste
nicho de mercado de aproximadamente 50%. Segundo Roberto Hiroshi, diretor de
perecíveis do grupo Pão de Açúcar na época a
defasagem por produtos orgânicos era de pelo menos Um item apontado como diferencial
no mercado externo era a credibilidade e de como o selo verde poderia estar
atuando junto neste sentido, evidenciando a necessidade do Brasil em seguir
estas tendências e gerar selos para os produtos exportados que tivessem
esse apelo e confiabilidade. Ações do setor que
fizeram a diferença E por fim em Setembro
o informativo trouxe o depoimento dos representantes das principais entidades
avícolas brasileiras Ou seja, se muitos
destes esforços proporcionaram a avicultura nacional uma
posição de grande destaque, imagine se todos os esforços
apresentados tivessem se concretizado? O informativo trazia claramente
críticas a lentidão na adoção a pratica que
também prejudicava a instalação do HACCP junto com o BPF.
( Análise de Perigos e Controle de Pontos Críticos ) visto a sua
importância para os mercados da Europa e dos EUA, cujo os quais o Brasil
tinha e tem interesse em aumentar a participação comercial. Ficou
a crítica da necessidade da criação de um padrão
Nacional que transmitisse confiabilidade e um sistema de
certificação e inspeção sólidos. Mostramos os esforços que o Sindicato
Nacional da Indústria de Alimentação Animal - Sindirações juntamente com o
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, faziam com
relação a criação de um manual de boas
práticas de fabricação para o setor. Esse trabalho tinha o intuito de ser um
referencial mundial visto a importância brasileira nas
transações agrárias.
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